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LEÔNIDAS nos deixou

O irreverente atacante que defendeu os titãs paraenses na década de 1970 morre aos 61 anos, de ataque cardíaco. O futebol paraense perdeu ontem um de seus grandes jogadores, ídolo de Tuna, Paysandu e Remo.
O centroavante Leônidas, que brilhou no futebol paraense na década de 70, morreu de ataque cardíaco, aos 61 anos. "Meu nome completo é Leônidas Castro e aquele estádio do Paysandu é meu, pode escrever aí", brincava o atacante, ou "Léo", como os amigos o chamam.

De estilo irreverente, Leônidas despontou nas divisões de base da Tuna, e sob a batuta do treinador Aloísio Brasil, foi guindado ao time titular da Lusa, que se sagrou campeão paraense de 1970. O elenco cruzmaltino era constituído, em sua maioria, por jogadores paraenses. A exceção era o goleiro Omar, ex-Paysandu. O time-base era: Omar, Marinho, Abel, Carvalho e Acari; Antenor e Waltinho; Fefeu, Mesquita, Leônidas e Gonzaga (Ércio).

Leônidas foi artilheiro da Tuna e do Campeonato Paraense, anotando nove gols. Ele ficou na Tuna até 1975, mas em 1973 teve uma passagem pelo Paysandu, emprestado para a disputa do Campeonato Brasileiro. Na estreia do Papão, no dia 25 de agosto de 1973, no Baenão, contra o poderoso Internacional, do Rio Grande do Sul, o Paysandu venceu por 2 a 1. Leônidas fez um gol e Ivair, o outro.

Em 1976, Leônidas se transferiu para o Remo e, na temporada de 1977, sagrou-se novamente campeão paraense. O Leão Azul jogava com Dico, Marinho, Dutra, Marajó e Luís Florêncio; Aderson, Mesquita e Wilfredo; Leônidas (Mancha), Bira e Mego. O treinador era Joubert Meira. Leônidas também teve passagem pelo futebol cearense, jogando no Fortaleza, e passou por Anapolina-GO e River-PI, entre outros.

Assim como a irreverência, a polêmica sempre andou de mãos dadas com ele. Nunca negou a predileção pela bebida, o que o fez largar o futebol com apenas 30 anos. "Não dava mais, não tinha vontade de continuar jogando", lembra. O ano era 1980 e ele ensaiava um retorno ao Souza.

Com os dirigentes, a relação era explosiva. Salários atrasados eram sinônimo de confusão. "Cansei de quebrar concentração por causa do meu dinheiro. Ia para cima, mesmo. No final, sempre pagavam."

A fama, para ambos os lados, nunca o incomodou. Assim como adorava os elogios, entendia as cobranças e os insultos vindos da arquibancada. "Quem paga o jogador é o torcedor e ele tem direito de reclamar. Nunca discuti com torcedor e acho um absurdo quem faz isso. Chamavam-me de muitas coisas, mas não ligava", salienta Leônidas, para arrematar com: "Minha vida sempre foi um livro aberto, só que tem um monte de páginas sujas".

Era um atacante impetuoso, que driblava em plena velocidade, com faro de goleador, que dava intenso trabalho às defensivas adversárias. O ex-craque era muito querido por todas as torcidas e gostava de divertir seus ex-colegas de clubes, contando histórias hilárias vividas em mais de dez anos de futebol. Ontem pela manhã, o ex-craque, que era funcionário público federal (IBGE), sofreu ataque cardíaco fulminante. O velório foi realizado na Capela Max Domini (Lomas Valentinas) e o sepultamento acontecerá hoje, pela manhã.

Leônidas Nome completo: Leônidas Castro 
Data de nascimento: 22 de outubro de 1949, em Belém (PA) 
Data de falecimento: 25 de abril de 2011, em Belém (PA) 
Clubes: Tuna, Remo, Paysandu, Sport Belém, Castanhal, Fortaleza-CE, Anapolina-GO, River-PI, Sampaio Corrêa-MA, Fluminense-BA e Tiradentes.
(Amazônia Jornal, edição de 26abr.2011)

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